
O
tipo de gente que me ganha sem querer e me perde sem perceber. Eu nunca
vou entender. Daqui há mil anos, ainda vou lamentar o fim, mesmo sem
sentir mais nada, mesmo sem sentido remoer tudo isso. Porque a minha
partida não foi o mais triste da nossa história, toda manchada pelas
minhas lágrimas, que já me desciam automaticamente e sem dor. O mais
solitário, eu vou te contar, foi o fim de todos os planos que um dia eu
fiz pra gente. O que me dói são as lembranças felizes borradas, são as
mágoas que se instalaram e deitaram em cima do amor. De repente, esse
abismo entre a gente, tirando o espaço reservado pra cumprir a promessa
de sermos amigos, aconteça o que acontecer. Já não sei mais quem é você.
O que você quer, espera, pensa. E tenho preguiça de procurar saber.
Você era o meu texto mais bonito, que eu nunca cansava de ler. E agora é
o que? Não consigo passar da primeira linha, tudo me distrai, sou puro
desinteresse. Meu silêncio é tudo que eu tenho pra falar e sua voz ecoa
sem reposta, no meio de todo esse vazio que restou. E eu tenho pena. Não
desse nada que viramos, mas de tudo que não fomos, de tudo que não saiu
do papel, das coisas maravilhosas que passaram despercebidas pelo lado,
enquanto eu só conseguia olhar pra você. Lamento muito todo esse tempo
que eu passei me virando do avesso pra isso dar certo, sem saber que
chegar ao fim é o mais certo que algumas histórias podem dar.
Marcella Fernanda